Entrevista com Guillermo Varela, o famoso chef de Vigo
- O que te inspirou a compartilhar suas receitas e conhecimentos culinários em plataformas de mídia social como Instagram e TikTok? ?
Meus perfis são @cookingfromspain no Instagram, TikTok e YouTube. O que mais me motivou a compartilhar meu conhecimento nas redes sociais foi perceber que ninguém fazia isso em inglês. Quero dizer, existem muitos criadores de conteúdo excelentes sobre culinária em espanhol, inglês e outros idiomas… mas ninguém falava sobre culinária espanhola em inglês. Percebi que o único conteúdo em inglês que encontrava sobre receitas espanholas era criado por estrangeiros (tanto amadores quanto profissionais) que cometiam erros terríveis com pratos típicos como tortilla ou paella. Isso significava que havia uma falta de conhecimento e, portanto, uma oportunidade.
- Qual é o seu prato espanhol favorito e que conselho daria para prepará-lo perfeitamente?
É muito difícil para mim escolher quando esse tipo de pergunta surge… Mas acho que algo que eu poderia comer todos os dias da minha vida é uma boa omelete espanhola. O segredo para fazê-la perfeitamente: faça muitas. Não há outros segredos. Mas aqui vão algumas dicas que ajudam a preparar uma omelete de qualidade (na minha opinião):
- Primeiro, confite as batatas, não as frite. Confite-as em óleo a menos de 100ºC por cerca de 15 minutos, até ficarem macias.
- Depois de cozidas, retire o excesso de óleo e refogue as batatas confitadas até ficarem douradas. Isso adiciona textura, cor e sabor ao prato final.
- Para a frigideira: Use uma frigideira antiaderente em fogo médio, mas certifique-se de que esteja bem pré-aquecida. O revestimento antiaderente impede que o ovo grude sem a necessidade de fogo alto, resultando em uma omelete lisa, sem pedaços queimados de ovo torrado, que, na minha opinião, são muito amargos e estragam a qualidade de uma boa omelete.
- Como equilibrar a tradição culinária com a inovação ao criar novas versões de pratos clássicos?
Para mim, a inovação não existe sem uma base sólida de tradição culinária. A tradição é a voz da experiência, guiando-nos nos passos a seguir e, sobretudo, nos passos a NÃO seguir! O conhecimento da gastronomia tradicional evita muitos fracassos durante o processo de inovação. Além disso, quando a inovação de vanguarda é executada corretamente, transcende o tempo e torna-se tradição. Portanto, não acredito que seja necessário equilibrar uma com a outra, mas sim compreender que ambas são fases diferentes de um processo criativo comum. Assim, quando se inova com discernimento e qualidade, está-se sempre em equilíbrio com a tradição. A opinião cética daqueles que se recusam a inovar é outra questão completamente diferente… Na minha opinião, estão enganados.
- Qual prato ou técnica você considerou mais desafiadora de dominar ao longo de sua carreira como chef?
Acho que, sem dúvida, pratos com arroz seco. Fazer paella é sempre divertido para mim, mas admito que também envolve um certo nervosismo… Principalmente quando se trata de uma paella grande, que geralmente é cercada por muitos "juízes" famintos (risos). Cada local, tipo de paellera, tipo de fogão, variedade e marca de arroz, tipo de caldo, (...), é um mundo à parte. Nunca existe uma receita fixa, e você sempre tem que se adaptar à situação específica. Sem falar dos verdadeiros mestres do arroz, que o cozinham em uma grelha sobre fogo de lenha. Isso me parece o ápice da complexidade gastronômica, e eu nunca me atrevi a experimentar.
- Qual o papel que você acha que as redes sociais desempenham na evolução da culinária, e como você imagina o futuro da gastronomia digital?
Seria um erro ignorar as redes sociais em relação ao futuro da gastronomia. Acredito que seja o canal de comunicação mais importante da atualidade e devemos aproveitá-lo para compartilhar conhecimento e promover o aprendizado. É difícil prever o que o futuro nos reserva, mas acho que será maravilhoso testemunhar e participar desse processo.
- Se eu disser "Ilhas Cíes", qual é a primeira lembrança que lhe vem à mente?
Uma viagem de acampamento com meus pais e irmãos no camping das Ilhas Cíes. Eu devia ter uns 8 anos na época, mas me lembro como minha primeira experiência de acampamento, e que lugar melhor do que um paraíso como as Ilhas Cíes?
- Quando foi a última vez que você foi a Cíes?
No verão de 2023, voltei com a minha família, e desta vez tivemos a sorte de mostrar as Ilhas Cíes a dois estrangeiros: a minha namorada (austríaca) e a namorada do meu irmão (holandesa). Creio que falo por todos os habitantes de Vigo quando digo que as Ilhas Cíes são o recanto das Rias Baixas que mais nos entusiasma mostrar a pessoas de outros países.
- Qual é a sua área favorita da ilha?
Sem dúvida, o farol. As vistas são espetaculares e tornam-se ainda mais especiais depois de uma caminhada desafiadora até o topo.
- Por que você aconselharia alguém a visitá-los?
Acho que é uma forma linda de viver e ver a natureza em seu estado mais puro. Lá, você é o "forasteiro", e a vida selvagem deixa isso bem claro (estou me referindo, obviamente, à imensa colônia de gaivotas-de-bico-amarelo que reina sobre a ilha, e com as quais é preciso ter extremo cuidado, haha).
- Você quer ser nosso(a) novo(a) "Embaixador(a) ❤️ CÍES"?
Sim, seria um prazer. Estou empenhado em defender ativamente as Ilhas Cíes, contribuindo para a sua promoção, conservação e desenvolvimento sustentável.


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